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A domadora de desafios


Você já teve que domar um leão por dia? Você já teve que crescer para ficar do tamanho dos seus desafios? Não soube de onde eles vieram, não soube como lidar, mas precisou enfrentar mesmo assim? Você já teve medo de não conseguir e ainda assim se mostrou forte e pronta (o) para a batalha?

Essa aí é a Domadora, minha personagem de teatro no primeiro dia do 15° Raízes – os sonhos que habitam a cabeça de um palhaço (um encontro espiritualista do qual faço parte). Forte, destemida, pronta para olhar de frente para os leões de cada dia. Mas, como qualquer guerreira, com um coração que precisa de todo cuidado para permanecer firme diante da vida. 

Sabe aqueles momentos que a gente pensa em não atender o telefone, porque são tantos desafios que dá medo só de olhar? Aqueles momentos que as pessoas olham e dizem: “ah, nem é tanto assim”, enquanto o seu coração está miudinho? Quando você já não aguenta mais, mas ainda aprece um leão para domar? Pois é, essa moça aí sabe bem o que é isso. E o que ela disse para a menina perdida na cabeça do palhaço? Para agir com o coração. Esse mesmo aí, que é frágil e por isso pode permanecer aberto.

Não é a fragilidade que nos afasta da força, mas o medo de sermos vulneráveis. O medo de demonstrar que dói sim, que não sabemos como agir, que não crescemos o suficiente ainda diante disso que apareceu. E às vezes o que aparece é tão menor do que o nosso medo, mas nós só sabemos disso quando olhamos, quando acontece, quando enfrentamos. Um belo paradoxo: na vulnerabilidade está a força.

Belo depois que passa né? Porque enquanto estamos vivendo é bem dolorido. 

Ela sabe, passou a vida toda domando leões. Ela é fã dos super-heróis e guarda dentro de si um bom humor que não pôde mostrar por muito tempo. Ela confia em si, nos seus valores para guiar os passos. Aprendeu depois de muito duvidar do próprio coração. Ela aprendeu a prestar atenção no caminho e que nem todos os sorrisos são de amigos. Ela sabe que é frágil também e que precisa de tempo para se recuperar. Sabe que precisa se preparar para não se colocar em riscos desnecessários. Sabe que muitas vezes luta de coração partido, mas com boa vontade para vencer mais um desafio. 

Ela veio para mostrar que domar e crescer não mudam a essência, só a fazem amadurecer, e que acreditar no seu coração é o único caminho que vai levá-la para uma vida com sentido. Ela sabe. Eu também sei. 

Obrigada Domadora, que bom que você chegou para mostrar o que já estava pronto em mim. E um obrigada especial para a Ana Victória Pimentel. Escritora, atriz e diretora de teatro que criou essa personagem para a minha estréia nos palcos do Raízes. Gratidão eterna. <3

Almas Simples

Para Guillermo.

Soluções são simples. Para quem já tem a alma simples.
Não confunda simples com rasa. Almas simples são profundas, porque nelas cabem todas as versões de si mesmas. São simples, porque compreendem que a complexidade não é para ser dominada, mas sim experimentada.

Almas simples brincam, porque aprenderam a desfrutar. E porque aprenderam a desfrutar suportam a difícil tarefa de receber em abundância, sem culpa, com graça.
Elas são generosas, entregam de si, para que outras almas possam experimentar um pouco mais de leveza quando percebem suas geometrias dolorosas.

Almas simples se conectam. Sabem que a cura está no exato momento em que o encontro acontece. E porque os encontros acontecem, elas podem ser vistas, assim, simples como são.
E por poderem ser o que são, podem também se entregar a um propósito maior que si mesmas. Elas sabem que seu lugar é precioso demais para não ser completamente ocupado. Então, elas simplesmente ocupam seus lugares e servem a vida.

Almas simples olham para o que se apresenta e apenas olham. Não sobra espaço para julgar quando se ocupam de apenas estar.
Elas são corajosas. Tiveram a coragem de pagar o preço de pisar no desconhecido, só para entender que, em grande parte das vezes, a solução não tem a ver com o problema e sim com a habilidade de construir um novo modo de olhar.

Almas simples fazem o que precisa ser feito, mesmo que não saibam exatamente o caminho, elas são capazes de dar o primeiro passo. Sabem que sua tarefa mil anos precisa ser iniciada, sabem que cabe a elas essa tarefa.

Almas simples não precisam ser traduzidas, pois se expressam através da liberdade. E é preciso sabedoria, para ter consciência de que é a simplicidade que liberta.


Escrevi esse texto para o meu professor Guillermo Echegaray Inda. Um ser humano incrível que durante os 10 dias de formação em Constelações Estruturais ensinou o que é ter a alma simples. Junto com essa turma maravilhosa, vivi dias de uma grande transformação. Esse texto surgiu em um dos dias do curso, quando meu coração pedia por um modo de demostrar gratidão. Guillermo, além de um profissional incrível, foi extremamente generoso ao disponibilizar tempo para trabalhar comigo diversos aspectos nos quais eu precisava amadurecer. Gratidão para sempre querido professor! <3

Constelações Estruturais

Movimente o seu Propósito

É em movimento que seguimos a jornada da vida. Um passo após um outro. Uma pausa após a outra. Cadência, ritmo, movimento. Cada um tem o seu. Todos participam a seu modo.

É em movimento que novas perguntas nos encontram. Algo precisa se mover para que o novo possa aparecer, nos confundir, nos surpreender, nos fazer crescer ou, pelo menos, ansiar por isso.

É em movimento que nos encontramos com Deus e criamos na realidade. A natureza nunca para, está sempre em movimento, mesmo que em silêncio. Participar desse movimento de vida é uma escolha, é preciso dar o primeiro passo para que o caminho se apresente.

Muitas pessoas conversam comigo sobre encontrarem seus propósitos de vida, sobre seus negócios e como gostariam de eles estivessem realizando algo grandioso. Mas a maioria espera que esse propósito seja uma iluminação, algo que de repente se manifesta como um belo slogan para ser comunicado. Estão focadas no que fazer da vida e esquecem de o porquê fazer na vida. Quanto mais isso acontece, mais se comparam com outras pessoas e como a vida do vizinho parece ser tão bem resolvida. Uma comparação que magoa e as faz sentir sempre insuficientes não importa o que tenham conquistado.

Algo grandioso só pode acontecer quando nasce da verdade. A integridade dá a base para aquilo que é feito. Precisa ser genuíno para ser sustentado. Esse é o desafio. Encontrar o seu propósito passa pela honestidade, pela coragem de olhar para o que é real e só tem um caminho: o coração. Ele nunca mente, mas compreender essa linguagem pode ser assustador à princípio.

Por isso o movimento, um passo por vez. Quando decidimos trabalhar com o propósito em nossas vidas, criamos um movimento para isso e a partir dele, teremos momentos de alegria e conexão e ao mesmo tempo, vamos encontrar com as incoerências escolhidas que nos afastaram do movimento original. Movimento da alma e em seguida, movimento do corpo.

Movimento é diferente de velocidade e força. Muitas vezes é parado, mas ativo. Constante, mas suave. É um impulso da alma que pode nos fazer simplesmente parar, mas paramos com sentido e por isso, o movimento pode ser de espera. Pode ser apenas interno e temos ciência disso. Permanecemos à espera do que precisa ficar pronto, do caminho que se formará para o próximo passo.

Até que seja possível corrigir o passo para o que realmente faz sentido em nossas vidas, vamos ter que lidar com aquilo que normalmente é confortável, mas nos tira o prazer de viver sendo quem somos.

Comigo aconteceu assim também.

Comecei a dançar no dia do meu aniversário de 12 anos. Um dia muito feliz. Minha madrinha me via fazendo espetáculos de dança para os vizinhos e resolveu me dar a matrícula de presente. Primeiro o jazz e anos depois, estava eu na companhia profissional dançando moderno, balé clássico, jazz e dando aulas na academia. A dança sempre esteve presente, mesmo antes de oficialmente ser bailarina. Sempre que lembro de mim, lembro da dança.

www.tatianaparreira.com.br


Aos 17 anos descobri uma doença que me fez desistir da carreira profissional na dança. Um tumor. Benigno, mas que interferia no metabolismo do meu corpo. Enquanto fazia o tratamento, fui para a faculdade de comunicação. A ideia era ter uma profissão que me mantivesse em movimento. A publicidade engloba tudo isso em eventos, criação, interação com o público... é um vai para lá e vem para cá sem fim!

Anos depois, mantendo a dança em segundo plano e com um escritório de consultoria sistêmica montado, me deparei com o desafio de explicar o que exatamente uma publicitária que também é terapeuta sistêmica faz. E num trabalho longo de planejamento o obvio veio à tona: movimentar. Esse sempre foi o meu propósito de vida, mas não tinha ainda sido definido em palavras para que eu pudesse compartilhar com as pessoas ao meu redor. Assumir isso (sou dançarina e sempre vou ser independente do que estiver fazendo na vida) fez toda a diferença.

O resultado foi esse aqui:


O movimento faz tanto sentido para mim que a vida se manifesta assim, só consigo compreender algo quando há um movimento. E aí está a minha maior habilidade: me movimentando estimulo os outros a se movimentarem também. Pode ser no palco, em projetos, em sala de aula, onde eu estiver, em qualquer coisa que eu faça. Agora eu sei.

Continuo com uma vida comum, trabalhando, estudando, pagando contas, limpando a casa, essas coisas que do dia-a-dia que todos vivemos. Mas sei quem sou e assumir isso, mudou tudo.

Por isso, para você que está se perguntando qual é o seu propósito, se pergunte antes: o que me move? O que sempre me faz sair do lugar e avançar na vida? Movimente o seu propósito. É assim que você se encontrará com ele, consigo mesmo e poderá de algum modo entregar isso ao mundo. Como bem disse Carpinejar, é “dançar com a música de dentro”.

<3

Mulheres com propósito

É preciso coragem para seguir um propósito. Um propósito da alma.

Já nascemos com várias definições sobre como devemos ser, como é o modo correto de nos comportar, quais as decisões que nos fazem ser boas o suficiente para sermos amadas, admiradas, aceitas... Passamos a vida tentando nos acertar em meio a tudo isso e muitas vezes conseguimos. O problema é o preço que pagamos por isso. O preço de nos perder de nós mesmos. Olhamos ao redor e tudo está como deveria estar, mas por dentro, nada faz sentido.

Vivemos em uma época que nos desafia a ser o que somos, mas nos convida todo o tempo a parecer o que deveríamos ser. É confuso, eu sei. Mas apenas se pergunte: você está leve nesse exato momento? Se sente em paz durante o seu dia? Se a resposta é não, talvez seja um bom momento para se observar mais.

Em qual área da sua vida há uma crise hoje? O que essa crise te diz? Entenda, às vezes a crise vai se apresentar na forma de parada total, quando não há energia para dar mais nenhum passo na vida. Às vezes vem com uma grande mudança, dessas que a gente não controla, mas participa, se vê imersa e precisa se adaptar. As crises normalmente nos contam em qual parte das nossas vidas precisamos parar de fingir.

É, só tem um jeito: assumir quem somos. E sim, talvez seja a coisa mais difícil que você vai fazer na vida. Estamos acostumadas a nos esforçar para sermos mulheres como achamos que deveríamos ser.

E se nada disso for verdade? E se quando você apenas se soltar tudo o que sempre esperou puder ser seu? E se você tiver coragem de assumir a responsabilidade pela sua vida? E se você for o suficiente exatamente como é nesse exato momento? E se você parar de se julgar?

“E se a questão não for: por que é tão raro eu ser a pessoa que realmente quero ser, e, sim, por que é tão raro eu querer ser a pessoa que realmente sou? Oriah Mountain Dreamer.

Eu sei, é preciso coragem, porque quando vivemos o nosso propósito da alma encontramos uma felicidade grande demais, daquelas que não tem mais como fingir, precisamos assumir. Assumir é abrir a porta, deixar as coisas acontecerem segundo o seu coração, nada mais. Assusta no início, gera uma certa culpa durante e depois te liberta para oferecer ao mundo o que é real em você. Já pensou o que o mundo perde cada vez que você finge e se anula? O que o mundo ganharia se você pudesse oferecer a ele todo o seu potencial?

O que faz sentido está em você, apenas em você. Já está pronto, já nasceu com você, tenha coragem de se encontrar e de assumir quem você é. Esse é o seu legado e o mundo precisa disso.

* Escrevi esse texto para um trabalho com a UP Brasil em comemoração ao dia das Mulheres em 2017. Viajei para as cidades onde a empresa tem filiais e encontrei mulheres espetaculares! Foram dias incríveis, nos quais aprendi mais e mais sobre as belezas de realizar o nosso propósito de vida. :)




Amar dói.

Não é o amor que dói. É amar.

Porque quando amamos somos quebrantados. É como se ao tocar o amor, tivéssemos que obrigatoriamente tocar o que em nós também precisa ser amado. Aquilo que escondemos debaixo do tapete para não ter que sentir, não ter que lidar, não ter que olhar. Mas o amor, quando toca, traz à tona.

E isso vale para qualquer tipo de amor. Amor a um projeto, a uma pessoa, a uma empresa, a um produto, a um cargo, a uma ideia. Todas as vezes que amamos algo fora, encontramos também algo dentro que precisa de amor.

A grande questão é que para manter o amor ao que está fora, muitas vezes queremos sufocar ainda mais o que está adoecido internamente, queremos que o orgulho, o medo, a insegurança ou qualquer coisa que ainda carregamos não apareça, não ameace aquela sensação boa de estar amando algo. E aí, vamos nos abandonando, deixando de ser quem somos, para tentar ser aquilo que o objeto, a empresa ou a pessoa amada espera.

Espera, pede descaradamente ou pior, nós é que achamos que espera.

É nesse momento que nos perdemos, quando deixamos de amar o que em nós mais precisa de amor. Porque é no amor ao que está na vida que criamos a possibilidade de amar o que ainda não conseguimos olhar dentro de nós.

O que em você precisa de amor? Como o amor que você sente por seus projetos tem te ajudado a descobrir o que em você ainda não cresceu? Como o seu amor por alguém tem te mostrado que ainda existem partes suas inseguras?

É por isso que amar dói, porque nos faz vulneráveis, nos faz encarar que nem sempre vencemos e que é preciso corrigir a rota. Amar nos escancara, mostra onde erramos e nos faz ver o que não pode mais voltar e o que não pode mais seguir. Quando amamos somos obrigados a nos limpar de velhas cargas ou das novas que tentam nos entregar, mas que não fazem mais sentido. A gente já não aguenta mais.

Ao mesmo tempo ele nos prepara para novos tempos, nos quais seremos mais amados por nós mesmos e poderemos colher mais amor. Não se abandone. Esse é o primeiro passo para dar tudo errado. O amor é a chance que temos de vencer e ele primeiro precisa passar por nós, curar em nós para depois poder ser oferecido.

Tenha coragem de deixar o amor viver em você. Uma coisa é garantida, ele vai trazer para a pele as dores que precisam ser sentidas para poderem ir embora de vez. Tenha coragem de senti-las, só assim as dores podem ser curadas, quando são aceitas no coração.

Isso não significa aceitar as exigências descabidas de um parceiro, de um cargo, de um chefe sem noção. Significa ter a coragem de olhar para você e se perguntar: Porque ainda estou atraindo isso para mim? Qual dor estou tentando reproduzir aqui? E se entregue à resposta. O amor a esse emprego, ou seja lá o que for que você estiver amando, pode te ajudar a amar mais você mesmo.

Espero que você tenha a coragem de se amar, de estar consigo, de corrigir o rumo e de se libertar.

Devolva aqui!

“Há pessoas que nos roubam. E há pessoas que nos devolvem”.

Há pessoas que nos devolvem o sorriso, as ideias, a energia, o incentivo, tudo aquilo que já é nosso, mas que nos esquecemos e deixamos roubar em certos momentos da vida.

Essa frase tem feito cada dia mais sentido para mim. É uma citação do padre Fábio de Melo, que no livro Quem me Roubou de Mim, faz uma análise bem interessante sobre o que ele chama de sequestro da subjetividade. Esse conceito trata desse sequestro que não é físico, mas que leva parte do que somos, que nos afasta de nós mesmos e daquilo que faz sentido para nós.

No primeiro semestre desse ano vivi tempos em que manter minha subjetividade (quem eu sou) apesar das circunstâncias, foi o desafio.  Uma amiga disse: “sabe Tati, é que você está num momento de tirar os pesos”. A princípio concordei, mas em seguida percebi que vivi uma época de devoluções, começando pela decisão de devolver a mim mesma o que sou. É por isso que os pesos precisavam sair, eles não eram meus.

É impressionante como o primeiro passo de coragem dá o impulso para todos os outros. E de repente me vi cercada de pessoas “me devolvendo” também. Como se o Universo todo dissesse “Isso querida, que bom que você teve coragem de se amar”.

Devolver quem somos a nós mesmos tem a ver com responsabilidade e culpa. Responsabilidade para assumir o caminho que desejamos e para compreender que se estamos onde estamos, foi uma escolha nossa. Uma certa culpa também faz parte, a de não agradar a todos.

Pensando sobre tudo isso e escolhendo qual seria meu próximo passo profissional, comecei a refletir sobre o que deixei para trás. Qual foi o rastro que deixei?

Coincidentemente (ou não), fui convidada para fazer uma palestra sobre minha carreira nesse período e revi os passos, as empresas por onde passei, as pessoas que conheci, os projetos, tudo.

Já pensou sobre isso? Quando você passa pela vida de alguém, a deixa engradecida? Quando você já não está mais, sua presença é lembrada com alegria? As empresas nas quais trabalhou cresceram com a sua contribuição? Há gratidão? As portas continuam abertas para você?

Com isso em mente, que tal fazer um exercício?

Faça uma lista das pessoas que te devolvem. Aquelas que quando você chega perto o sorriso abre, você se sente respeitada; elas sempre têm uma palavra boa para oferecer; você se sente bem só de chegar perto e mesmo em silêncio é bom estar ali. Sabe quando a coisa flui de graça, sem esforço? Isso aí!

Faça também uma lista daquelas pessoas que te roubam de si mesmo. Quem hoje na sua vida te faz sentir menor? Quem te faz recuar, paralisar na vida ao invés de andar para frente? Quem atrapalha suas conquistas, ou te faz sentir incapaz? Quem te maltrata (muitas vezes disfarçado de bondade)?

Sem julgamento tá? Veio à mente, escreve o nome na lista, sem pensar se é certo ou errado. Às vezes, vai dar vontade de colocar a mesma pessoa nas duas listas, sinta honestamente em qual das duas essa pessoa cabe nesse momento. Siga o coração, como você se sente é o que vale. E pode ser tudo junto, gente do trabalho ou da vida pessoal. A lista é sua, coloque quem quiser.

E aí? Teve coragem de fazer o exercício?

Às vezes, é preciso muita coragem para admitir que algumas das relações que mais prezamos nos maltratam demais; para admitir que a responsabilidade por definir limites e nos posicionar é só nossa.

Hoje, depois de todo o turbilhão e da coragem de deixar ir tudo aquilo que me “roubava” energia, sorrisos e paz, o que restou foi uma gratidão imensa. Estou realizando vários sonhos que estavam guardadinhos no meu coração, ao lado de gente que “me devolve” sem nem perceber. Uma dessas pessoas é meu grande amigo Luciano Araújo, a quem dedico esse post.

Espero que esse post contribua para grandes devoluções, aquelas que fazem o coração ficar quentinho, pois, trazem a gente de volta para o lugar que é só nosso.


* Lu, obrigada por me ver com olhos tão carinhosos, por me lembrar do que sou capaz e por ajudar sem medir esforços a me devolver para a vida. Você é um amigo incrível, a quem eu amo, respeito e serei para sempre grata. :)

Inveja?


Então né? Lá estou eu indo dar uma palestra e uma pessoa me para e diz: “Nossa, mas você está linda, só que é muito jovem para se vestir assim, essa roupa te deixou velha demais”. Assim na lata, sem dó e com plateia. Eu, com cara de tacho, como dizemos aqui em Minas, respondi, “É que estou trabalhando, preciso me vestir mais seriamente”. A resposta: “É, mas está com cara de muito velha”. Recolhi o tacho e fui dar a palestra com “cara de velha”.

Depois fiquei pensando sobre o sentido dessa experiência e de outras que tenho vivido nas últimas semanas e percebi que tem muita gente me dizendo coisas indelicadas. Mais que isso, pessoas íntimas e que me querem bem estão com excesso de liberdade para me criticar e de certa forma tentando me diminuir. E pior, sem eu perguntar nada. Na mesma semana, convidei algumas amigas para jantar e ouvi tanta bobagem na sala da minha casa que fiquei em choque.

Para variar, comecei a analisar a questão e olha só o que descobri.
Nota: Não foi simples assim não, primeiro eu choro, depois eu penso (mulher né gente?).

Bem, por que eu fiquei incomodada com o que ouvi?
Porque aquelas pessoas são importantes para mim. São importantes, conhecem meus pontos fracos, e foi exatamente onde atacaram, naquilo que poderia me diminuir. E a coisa é tão velada que vem disfarçada de conselho amigo, mas no fundo é uma crítica que de algum modo faz a pessoa se sentir mais forte, mais sábia, melhor.

Colocar limites para quem a gente ama é um desafio bem maior do que para aqueles que tanto faz se forem embora ou não. A questão é que o limite colocado é proporcional à força que recuperamos, pois entendemos e assumimos o que é ou não para nós. E tudo bem não dar conta de tudo, não saber como lidar com as situações e precisar colocar um limite aqui e outro ali, para que mantenhamos o cuidado conosco e para que fique ao nosso lado quem dá conta de nos amar e acima de tudo respeitar.

A inveja é muitas vezes um sentimento involuntário. Quem sente, não necessariamente é mau, só lida com a dor de não conseguir estar na própria vida e assim, sofre com as realizações daqueles se concentram em si. Assim, ficam procurando meios de diminuir a outra pessoa e sentem até um alívio quando o outro não se sai bem. Quanto casais, amigos, familiares conhecemos que intimamente ficam felizes (aliviados) quando o outro não está tão bem, por medo de ficarem sozinhos?

Ser feliz dá trabalho, exige disposição para amadurecer e às vezes é um saco crescer. Pouca gente se concentra nisso, e num exercício de constante comparação, se perde da própria vida. Quando percebe que os demais caminharam, se sente ainda mais infeliz. Apenas por estar desconectada de si. Ou seja, estamos todos a mercê dessa praga interna se não estivermos dispostos a apenas estar presentes em nossos corações, em nossas vidas.

Como se proteger?

Bem, se a coisa anda difícil aí para você, o primeiro passo é assumir.
Se você sente inveja de alguém, assuma isso logo de uma vez dentro de si e veja o que pode fazer por si mesma. Sem se julgar, onde na sua vida está faltando você, para que a vida de alguém pareça melhor que a sua? De onde vem a necessidade de diminuir alguém ou encontrar defeitos em outra pessoa (as vezes que você até ama) só para se sentir um pouco melhor com a sua vida?

Agora, se você é alvo da danada, um bom caminho é fazer o bem. Fazer é diferente de desejar. É agir mesmo moçada! As ações positivas blindam a nossa mente de pensamentos negativos e assim, não sobra tempo, nem disposição para dar poder ao que não é belo ou de boa fama. De uma certa forma começamos a nos ligar mais a pessoas que estão no mesmo padrão de pensamentos que o nosso e assim, nos fortalecemos mais em nossas vidas. Olhe em volta, onde você pode fazer algo de bom por alguém ou por alguma causa?

E foi assim que a minha história se resolveu. Fui ser voluntária num trabalho de autoconhecimento que participo, e dois grandes amigos, percebendo meu coração miudinho pelos ocorridos, me atentaram para o que poderia estar ocorrendo. E quando percebi que só precisava me conectar de novo comigo, foi possível perdoar e seguir para o meu caminho novamente.


Mente positiva + boas ações = escudo de amor.

E a honestidade?



Há algum tempo fui convidada para participar de uma meditação indiana chamada OM (Oneness Meditation). Uma prática bem diferente do que conhecia até então em minhas buscas espirituais. Divertido, colorido e com músicas boas. Mas o que mais me chamou a atenção, foram as palavras do palestrante (orientador, guru, figura de referência, não sei ao certo o nome que se dá para quem conduz a cerimônia) da noite.

Ele falou sobre a honestidade na conversa com Deus. Se Deus é Deus, obviamente Ele já sabe o que queremos ou pensamos de fato, então, para que esse esforço todo para parecer diferente do que realmente somos? O exemplo foi mais ou menos assim: “a pessoa reza para ganhar na Mega Sena. Cem milhões acumulados e se ganhar vai poder doar vinte milhões para a caridade, mais uns vinte para a família e assim, mostra para Deus o quanto é uma criatura bondosa. Mas lá no fundo pensa que deveria ganhar mesmo cento e quarenta milhões para poder fazer as caridades e ficar com os cem que pediu desde o início. Não seria melhor já ser honesta de uma vez? Senhor, quero ganhar na Mega Sena para ser rica e pronto, gastar tudo na ostentação”. Hahahaha.

Adorei o exemplo e comecei a pensar sobre isso no ambiente de trabalho, lógico né? Do que vive esse blog? Pensei sobre o quanto conseguimos ser honestos com Deus (e conosco) nesse dia a dia. Queremos um aumento para nos equilibrar financeiramente ou para nos sentir reconhecidos?  Queremos entregar um trabalho logo para atender o cliente ou para ficar livre dele? Vamos almoçar com o colega porque a companhia é boa ou para ser convenientes a uma situação que pode nos favorecer?

Também não precisa adotar a postura do super sincero. O negócio é que estamos tão ligados ao certo e errado que aprendemos ao longo da vida, que ser verdadeiros conosco mesmo, e com Deus, pode parecer muito estranho. E assim tomamos a maior parte das nossas decisões, justificadas pelo que achamos correto e não pelo que sentimos de fato. Gastamos uma energia enorme para parecer o que não somos para nós mesmos.

E se a gente só relaxar, e ficar em paz com o que queremos e sentimos, mesmo que seja estranho ou não tão politicamente correto? Talvez assim seja possível lidar com mais verdade e eficiência com o que escolhemos viver, se não for preciso justificar ou tornar bonitinha a vida que de fato nos faz feliz.

Então Senhor Deus, estou pronta para ser madame, só para poder trabalhar quando quiser e com a renda destinada a mim mesma e aos projetos do meu coração que não precisam gerar lucro. Obrigada, beijo. Amém.

As Constelações Organizacionais

No último dia 25, fiz uma apresentação de caso no 1º Simpósio do Triângulo Mineiro em Constelações Sistêmicas- Saberes & Reflexões. Na oportunidade, foi possível mostrar como o pensamento sistêmico pode fazer parte de uma consultoria de negócios. Para quem quer entender mais, segue um texto que escrevi para os participantes do evento e uma entrevista na qual explico melhor tudo isso.

;)

As constelações organizacionais são consideradas um novo tema dentro do campo das práticas de gestão, uma vez que estão ligadas a aspectos emocionais, psíquicos, fenomenológicos ou seja, intrínsecos ao que é humano. Mas a verdade é que este é um tema mais antigo (e trabalhado nas empresas) do que possamos imaginar.

Empresas são feitas por pessoas desde que empresas existem, a grande questão é que as discussões a respeito do quanto o fator humano é capaz de interferir no alcance das estratégias traçadas para uma organização, foram enfatizadas a partir das últimas décadas e com a chegada da famosa geração y. Para essa turma, o significado dos passos na carreira tem tanta importância quanto a técnica. Gente é um assunto velho, mas o olhar estratégico e valoroso sobre o tema nas empresas é relativamente novo.

Em uma entrevista para a Endeavor, Abílio Diniz dá a sua definição de empresas, “são pessoas e processos, processos e pessoas (...). Uma empresa que não tem pessoas engajadas e comprometidas, não pode ser de alto desempenho”. O cara sabe das coisas. Pessoas e processos são o foco de estudos dos métodos de gestão há muito tempo e como novas ferramentas surgem a todo o momento, a abordagem sistêmica também se apresenta. Esse formato de avaliação pode ser encontrado em outras teorias do campo organizacional, pois leva em consideração as relações entre os componentes do sistema para que se alcance um diagnóstico, exatamente como as análises macro ambientais. A metodologia em si, por meio da abordagem sistêmica desenvolvida por Bert Hellinger é que é nova para o ambiente corporativo, tem cerca de 15 anos em todo o mundo e começou a partir da iniciativa de Gunthard Weber.

Então vamos entender que bicho é esse?

Os mesmos princípios que são trabalhados no aspecto terapêutico das constelações familiares (pertencimento, ordem e equilíbrio entre dar e receber), são trazidos para as organizações para compreender como as interações sistêmicas influenciam a tomada de decisão. Traduzindo, muitos dos projetos que ficam nas gavetas, tem ligações com aspectos que podem estar ocultos na dinâmica das empresas e nada tem a ver com a competência técnica da equipe. Por exemplo, um consultor contratado para trabalhar com a área financeira da empresa irá aplicar diversas técnicas de gestão para alinhar as atividades da área até que se alcance o resultado almejado, no entanto, provavelmente encontrará entraves no processo que, por mais que haja técnica e engajamento da equipe, algumas decisões simplesmente não saem do papel, ainda que todos saibam o que fazer.

Quando examinamos esses casos do ponto de vista sistêmico, podemos encontrar as razões para que uma consultoria como essa não consiga ser implantada em sua plenitude. E sim, muitas dessas razões podem ser pessoais e inconscientes. Já atendemos um caso no qual a cliente mantinha a empresa desorganizada, em especial na área financeira, pois, de algum modo se mantinha unida a família em função das contribuições constantes que tinha do ex-marido e dos filhos para a gestão, sempre em colapso. Quando tomou consciência da dinâmica, foi possível tratar a causa (medo de estar só e assumir a responsabilidade) e pasmem, em três meses a empresária já tinha dois administradores contratados organizando a operação, melhor qualidade de vida e de quebra, resolvido uma série de questões pessoais que se arrastavam a anos.

Todos nós temos muitas razões para escolher as empresas que escolhemos para trabalhar ou para definir quais são os rumos dos nossos empreendimentos, e seria ingenuidade acreditar que esses motivos são apenas profissionais. Os sonhos, expectativas, medos e aspectos que nem sempre conhecemos de nós mesmos, influenciam essas decisões e as constelações organizacionais apresentam a possibilidade de lidar com tudo isso com maior clareza, foco e acolhimento, sem que tenhamos que nos expor além do necessário ou negligenciar o que faz parte do processo decisório, ainda que desconhecido.

Essa abordagem pode ser utilizada tanto no aspecto individual do profissional, como no exemplo que apresentei, quanto na avaliação macro das organizações e suas relações com stakeholders.

Projetos sem sentido

Cuidado com eles.

Hoje vou utilizar o prelúdio de um dos meus livros preferidos (A Dança – Oriah Montain Dreamer) para compartilhar alguns aprendizados na experiência como Coach.

E se, na verdade, não importa o que você faz e sim como você faz, seja lá o que for?
Como isso mudaria o que você decidiu fazer com a sua vida?”

Há uma proliferação do uso das técnicas de coaching no mundo corporativo nas últimas décadas. Várias metodologias, cursos de todos os tipos e público para todos os serviços. A ideia nesse post não é tratar da qualidade do coaching, não tenho essa pretensão, mas sim do sentido com que se busca esse serviço. Tanto para o cliente (coachee), quanto para o profissional que o oferta (coach).

É comum haver uma confusão a respeito da função do coaching, como um processo de cura ou de orientação. Esses aspectos cabem ao campo da terapia ou da consultoria. Coaching tem a ver com apoio ao desenvolvimento, ou seja, o processo apoia, mas cabe apenas ao cliente tomar as decisões e seguir o seu caminho.

Pensando nisso, comecei a observar que há muitas discussões a respeito das expectativas miraculosas dos clientes em relação aos processos de coaching, mas pouco se fala das expectativas dos profissionais que ofertam o coaching sobre seus clientes.

“E se você pudesse ser mais presente e ter uma atitude mais acolhedora com cada pessoa que encontrasse, se, em vez de estar fazendo um trabalho que achasse importante, estivesse trabalhando como caixa de uma pequena loja ou recepcionista de um estacionamento?
Como isso mudaria o modo como você quer passar seu precioso tempo neste planeta?
E caso sua contribuição para o mundo e a conquista da sua felicidade não dependam da descoberta de um novo método de rezar ou de uma técnica de meditação mais adequada, nem de ler o livro certo ou comparecer ao seminário apropriado, e sim de você realmente ver e apreciar profundamente a si mesmo e ao mundo como eles são neste momento?
Como isso afetaria sua busca de crescimento espiritual?”

Ter coragem de ser menos importante que o processo do cliente pode ser um desafio. Vejamos, é comum que o coachee venha para o processo de coaching com uma enorme expectativa de que, com um plano bem estruturado todos os seus problemas serão resolvidos. É claro que ele sabe que isso não é verdade, como todos nós sabemos que atividade física durante um mês não vai deixar ninguém malhado, mas ainda assim pode haver aquele desejo íntimo de que funcione e rápido. Ainda que as expectativas estejam alinhadas, elas existem, de ambos lados. E acredito que a mais desafiante de administrar seja a do Coach, visto que nem sempre é considerada.

“E se não houver necessidade de mudar, de se transformar numa pessoa mais bondosa, mais presente, mais amorosa ou mais sábia?
Como isso afetaria todos os aspectos da sua vida em que você está sempre procurando ser melhor?
E se a tarefa for simplesmente desabrochar, se tornar quem você realmente é — uma pessoa meiga, bondosa, capaz de viver plenamente e de estar apaixonadamente presente?
Como isso afetaria a maneira como você se sente quando acorda de manhã?
E se quem você é essencialmente agora for exatamente o que você será sempre?
Como isso afetaria o modo como você se sente em relação ao futuro? E se a essência de quem você é e sempre foi for suficiente?
Como isso afetaria a forma como você vê e se sente em relação ao passado?”

E se o seu cliente não conseguir alcançar todas as metas?  E se não for possível que ele trace um plano aprofundado? E se alcançar uma nova visão a respeito das questões que o impedem de decidir, for o máximo possível no processo de desenvolvimento dele naquele momento? Você consegue lidar com isso?

Coaching não resolve questões emocionais, mas se conteúdo racional fosse o suficiente para resolver tudo, mentalizar seria mais eficiente que pegar peso para ganhar músculos. É preciso sensibilidade para compreender que qualquer passo só pode ser dado com segurança quando faz sentido à mente e ao coração de cada pessoa e, quando falo de coração, quero dizer que as emoções também fazem parte do processo de coaching, ainda que o foco não seja tratá-las terapeuticamente. O importante é que elas possam fazer parte genuinamente.

Quando experimentei o processo de coaching pela primeira vez, o foco da profissional que me atendia era fazer com que eu alcançasse o objetivo com eficiência. Sentia que a pessoa estava mais centrada em si e no objetivo que ela tinha enquanto profissional do que no meu processo, ou naquilo que fazia sentido (e era possível) para mim. Provavelmente não foi intencional ou consciente essa postura, mas me fez sentir mais pressionada que apoiada. Ali decidi que o respeito seria o meu guia como profissional dessa área. Outro aspecto que observei foi o quanto a paisagem emocional interfere nessas percepções.

Como manter o foco nos objetivos se há processos emocionais em evidência? Olha, sejamos sinceros, você conhece alguém que não tenha nenhuma emoção conturbada lá em algum lugar do seu interior? Eu ainda não tive a chance de conhecer esse ser. O que isso significa? Que não tem ninguém pronto, estamos nos fazendo a cada dia e, portanto, teremos sempre as nossas questões. O cuidado necessário é com a função do coaching na vida do cliente. Cada um tem um tempo de amadurecimento e pode ser que o seu cliente precise apenas de um plano para o primeiro passo. Nem todos estão preparados para grandes planos. E tudo bem.

Nesse caminho do primeiro passo, pode-se chegar à conclusão de que seja necessário um tratamento terapêutico. Tive uma experiência assim, uma cliente que indiquei para a terapia me disse que precisava do coaching como apoio para ter coragem de ir para a terapia. Cinco meses depois, três deles em terapia, toda a vida da cliente foi mudada por suas novas escolhas.

Vida de Executiva


Uma outra cliente me disse um dia desses que se questionava sobre o seu preparo para o processo de coaching, pois, ao final, muitas das questões que existiam antes do processo ainda não haviam sido totalmente resolvidas. Para uma pessoa absolutamente racional - ainda que sensível - planos concretos são o parâmetro válido para a eficácia do processo. E o são, na maioria dos casos, mas não em todos. Quando se trata de uma mudança completa de vida, um processo certamente não será o suficiente para colocar tudo em ordem. Quando a confusão é maior que a percepção da força interior, ir para a ação pode ser mais arriscado do que aprender a lidar com o caos. Qual era o sentido de ter um plano concreto em dez sessões nesse caso? Agir ou continuar a planejar ações que não faziam sentido real, mas que geravam a segurança de permanecer sem movimento?

Quando se trata de pré-requisitos para o processo de coaching, acredito que apenas dois são de fato relevantes: a capacidade de assumir a responsabilidade por seu processo e a capacidade de encontrar sentido no processo. Quando descobrimos o sentido para a decisão, encontramos a função dela em nossas vidas e portanto, o passo seguinte.

Ao final da nossa conversa, ela disse ainda que o principal ganho do processo havia sido o olhar mais leve sobre o que precisava ser decidido, que no caso dela, envolvia uma mudança completa de vida. Duas semanas depois, ela me envia um e-mail, absurdamente honesto e cheio de significado, me contando que havia decidido o que fazer. Aquilo que atendia de fato às suas competências, ao seu potencial, ao seu momento de vida e especialmente, ao seu coração. Agora sim, é possível colocar em prática as várias ações determinadas em coaching e muitas outras.

Com ela aprendi a gerenciar melhor minhas expectativas sobre o tempo que leva para que cada um escolha se movimentar. Não bastava que eu visse todo o potencial de prosperidade, não bastavam as técnicas ou o meu apoio como coach, era preciso que ela tomasse o seu tempo para então, se encontrar com a força de uma decisão.

E para ela deixo as perguntas finais de Oriah Montain Dreamer:

“E se o fato de nos tornarmos quem realmente somos não acontecer através do esforço e da tentativa, e sim por reconhecermos e aceitarmos as pessoas, os lugares e as experiências que nos oferecem o calor do estímulo de que precisamos para desabrochar?
Como isso determinaria as escolhas que você faz a respeito de como quer viver o momento presente?
E se você soubesse que o impulso para agir de uma maneira que irá criar a beleza no mundo surgirá bem no seu íntimo e servirá de orientação sempre que você simplesmente prestar atenção e esperar?
Como isso daria forma à sua quietude, seu movimento, sua disposição de seguir este impulso, de apenas se soltar e dançar”?


** Querida coachee, esse prelúdio é para você. Desejo que seus projetos concretos sejam repletos de sentido em cada presente e em cada caos que você viver, a partir daqui. 

Plano de (motiv)Ação

Demorei, mas voltei.

E foi por uma boa causa. Nos últimos meses tenho refletido bastante sobre os rumos na carreira e na vida e, portanto, precisava viver algumas experiências para amadurecer as ideias, acalmar o coração e ter boas coisas para contar aqui.

Eis que recebo um recadinho pelo Facebook: "Tia Tati, dá uma atualizada no seu blog... Saudades dos seus textos :)". Meus alunos me chamam de tia as vezes, uma tia jovem, quero deixar claro. E esse foi um belo estímulo (e/ou puxão de orelha, como queira) para voltar a escrever.

Aproveitando o ensejo, vou falar sobre ele: o estímulo. O que isso tem a ver com o título da postagem? Não há plano de ação que vá para a frente sem ele minha amiga.

Os últimos projetos desenvolvidos aqui na empresa têm me ensinado algo importante sobre o nível de motivação e engajamento das pessoas para agir. Cada qual utiliza um estímulo diferente para se manter em movimento: o reconhecimento, o aumento na renda, a vontade de ver o projeto dar certo, trabalhar menos e ganhar mais, crescer, e por aí vai. Ou para se manter parado: o salário é baixo, o clima é ruim, estou cansada, não me interesso pelo que faço, e por aí vai também.

Mas tudo começa (ou para) com o estímulo. E gastamos um tempo enoooooooorme procurando resolver os problemas já instalados, sem as vezes pensar no que os causou, ou o que os estimulou para que se manifestassem. 

E então o ciclo de instala: estímulo, reação, resultado (que é um novo estímulo). Ok, até aqui nada de novo. Mas eis que surge o comentário da aluna, que me faz lembrar de um acontecimento e "plim", cá estou a escrever. 

Há algum tempo entregamos um projeto para um cliente e boa parte dele já estava implantado. Na reunião final, surge o seguinte diálogo com um dos sócios:


Cliente: Então, agora que acabou o processo você vai de quanto em quanto tempo lá na empresa cobrar da gente as coisas que faltam fazer? Você vai cobrar a gente né?
Eu: Não, não vou cobrar vocês.
Cliente: É, mas se você não cobrar, pode ser que não façamos tudo e se o trabalho não der certo, eu posso falar mal da sua empresa no mercado.
(...).

Esses diálogos são mais comuns do que imaginamos. Podem ser transparentes como com esse cliente, ou podem ser velados. Mas o importante é perceber como há aí uma busca de estímulo através da transferência de responsabilidade. Existe uma expectativa sobre o consultor e sobre o coach de que esses profissionais terão todas as respostas e que, depois de contratá-los, tudo vai se resolver. A má notícia é que não vai. Só quem tem poder para resolver um problema é o dono dele. Os demais são assessores, contribuem, mas não resolvem.

O que o meu cliente queria dizer é: Não estou estimulado o suficiente para agir. Havia a consciência da necessidade, um projeto estruturado com a participação dele, investimento financeiro envolvido e ainda assim sem estímulo suficiente para agir.

Para esse cliente em especial, conduzi uma sessão de coaching e depois de tomar consciência do que o impedia de agir, foi mais fácil se desapegar da necessidade de ser cobrado pela consultoria.

Tenho pensado que para projetar decisões organizacionais é preciso projetar também decisões estimulantes. Explico. Projetar decisões estimulantes tem a ver com sentir antes de se envolver em algum projeto, se haverá estimulo para agir. É preciso responder a uma pergunta com toda a honestidade: o que me move nesse trabalho? (Sem metáfora hein gente?! Literalmente movimento, levantar a bunda da cadeira e mandar ver).

O resultado é proporcional à entrega. Ninguém se entrega sem movimento, por menor que ele seja. Então, antes de começar qualquer coisa, faça o seu plano de motivação e compreenda se durante o processo você vai de fato suportar os desafios da conquista sem paralisar. E caso, dê muita vontade de parar, assista esse vídeo aqui, pode ser estimulante.

Viver no Coração

Foi como foi. E para esse momento tão reflexivo (7x1), quero compartilhar um dos melhores textos que já li sobre como lidar com a realidade. Então, licencinha que vou publicar um texto do Paul Ferrini. Prometo que semana que vem volto a escrever. 

;)


"Ficar no coração não é fácil. Pois é no coração que entramos em acordo com a experiência que estamos vivendo. Quando o coração está aberto, a experiência é bem recebida. Nós a aceitamos e permitimos que seja integrada com a nossa alma. Quando o coração está fechado, rejeitamos a experiência. Nós nos defendemos contra a decepção ou contra a mágoa e fugimos para a cabeça.

Quando a experiência passa a ser intelectualizada somos roubados não só do que é inferior, mas também do sublime na vida emocional. Perdemos a capacidade de sentir compaixão por nós mesmos e pelos outros. Perdemos a sensibilidade não somente para a dor e para o sofrimento, mas também para a beleza e para a felicidade.

Quando nosso coração está verdadeiramente aberto, tanto a felicidade quanto a dor são experimentadas sem inventar estórias, sem pintar a realidade de cor de rosa. Elas não significam nada diferente do que realmente são. Sentir dor não significa que somos maus, nem que outros sejam maus, assim como sentir felicidade não quer dizer que somos bons. Não há interpretações, só há disposição e boa vontade para aceitar e receber a experiência lá dentro. No coração aberto, o riso e as lágrimas se mesclam. É um lugar de intensa contradição, um lugar rico, um banquete variado de experiências que não podem ser racionalizadas, domadas, antecipadas, nem entendidas.

O medo e o condicionamento nos encorajam a rejeitar os aspectos da experiência que sejam novos, inesperados ou que não nos pareçam seguros. A alma fica dividida quando uma parte da experiência passa a ser vista como inaceitável. Passamos a ter bom e ruim, inconsciente e consciente, desejado e não desejado. Dessa forma somos capazes de ter uma experiência sem senti-la. Podemos fugir para a cabeça, nos distanciar, nos desconectar emocionalmente. Ainda que este tipo de dissociação seja compreensível quando se trata de uma reação a eventos traumáticos, ele passa a ser disfuncional em resposta aos altos e baixos da vida diária. 

Quando só estamos dispostos a aceitar o que nos é familiar ou aquilo que pensamos que queremos, ficamos presos na rotina e nos padrões do nosso passado. Ficamos estagnados emocionalmente e intelectualmente. Ficamos rígidos, ego-centrados e previsíveis. A energia da vida passa a ser investida na manutenção das defesas do ego, garantindo que o status quo permaneça intacto. 

Viver no coração significa deixar que tudo entre. Significa estar com a experiência, mesmo que ela seja difícil ou confusa. Para estar no coração, temos que adiar a tomada de decisões com frequência, até que fiquemos completamente familiarizados com o conteúdo total da nossa consciência.

Ficar no coração ajuda-nos a assimilar os caprichos de nossa experiência, ainda que isso leve algum tempo para acontecer. Quando não temos pressa, percebemos que as contradições iniciais acabam se resolvendo sozinhas. Tudo vai ficando mais claro conforme vamos honrando os variados pensamentos e sentimentos da nossa alma. É uma função da nossa inteireza, quando sentida. 

Tomar decisões antes de ter passado algum tempo com todos os nossos pensamentos e sentimentos contraditórios, acaba agravando qualquer que seja o conflito que estejamos experimentando em nossa vida externa. Quando sentimos urgência ou pressão para solucionar ou decidir alguma coisa, geralmente isso significa que estamos fugindo para a cabeça, tentando fazer com que “alguma coisa aconteça” que ainda não está pronta para acontecer. E, inevitavelmente, isso conduz a conflitos externos e a decepções. As portas não se abrem, não importa com que frequência ou com que força possamos bater nelas. Como não estamos em harmonia interna, não conseguimos ficar em harmonia com os outros. Como não estamos em nosso próprio “fluxo”, não conseguimos fluir com a vida conforme ela vai se manifestando ao nosso redor.

É preciso ter coragem para estar presente na paisagem emocional interna quando a chuva e a neblina obscurecem a vista. Quando a visibilidade é mínima, tudo o que podemos fazer é colocar um pé na frente do outro. Quando um monte de conflitos e emoções se agitam na alma, tudo o que podemos fazer é trazer gentilmente a consciência para onde estamos. Se nos apressarmos no meio da chuva e da neblina, desviaremos do caminho e cairemos. Um acidente vai nos atrasar muito mais de alcançar nosso objetivo do que o mau tempo e, daí, vamos desejar ter sido mais pacientes.

Ser paciente conosco mesmos e com o nosso próprio processo é o segredo de viver no coração. Podemos estar no coração e não "saber" o resultado de uma situação. Na verdade, a disposição “para estar sem saber” é essencial para estar presente aqui e agora, seja o que for que estivermos experimentando. “Saber” quase sempre diz respeito ao passado. Quando não precisamos mais saber, podemos ficar neste momento".

<3

Mãe Executiva

Dia das mães e vamos comemorar uma entrevista tudooo! Convidei a Veridiana Daia para bater um papo com a gente sobre esse negócio de ser executiva e mãe ao mesmo tempo. É uma das profissionais mais competentes com quem tive a oportunidade de trabalhar. Hoje empresária à frente da Bowbow e com uma experiência super legal na área de Marketing e Comunicação. E, se não bastasse a competência da pessoa, ela é uma fofura. Elegante, engraçada, do bem... Sabe aquela de quem a gente quer ser amiga? Pois, é! Mas para vocês não acharem que estou “rasgando a seda” (de onde saiu essa expressão Deus?), lê aí e veja porque essa mulher (executiva) é tudo isso e mais um pouco!

www.vidadeexecutiva.com.br


Conta para a gente um pouquinho da sua carreira Veri?
Dizem que a vida é feita de escolhas. Quando escolhi a faculdade de jornalismo não sabia o quanto acertada era essa decisão, nem tanto pela profissão em si, mas muito pela oportunidade de ter na formação acadêmica a comunicação. Assim construí minha carreira, como comunicadora.
Recentemente tomei uma decisão difícil, fazer uma mudança. Agora estou empresária do ramo de acessórios.
Gosto de pensar que comunicar é um talento que tenho e assim sendo, carrego comigo.  Mesmo desenvolvendo outra atividade não deixo a comunicação de lado.
Tenho muito orgulho da minha trajetória. De tudo o que vivi, aprendi e construí com a comunicação.

Como é ser mulher e executiva?
Ser mulher e executiva é uma combinação perfeita. Temos uma capacidade incrível de ter sensibilidade e de enxergar tudo com olhos amorosos. Meu marido costuma me chamar a atenção, ele diz que isso me faz sofrer, mas para mim isso é uma dádiva. Estou aprendendo a dosar. Sempre em busca do equilíbrio.

Como é ser mãe e executiva?
Noooosa! Esse é realmente um desafio na vida de uma empresária! Requer tempo e disponibilidade, sem falar disposição e não é só porque temos a responsabilidade, a obrigação com nosso filho, também, mas sim porque é prazeroso demais estar com eles, acompanhar suas conquistas, vê-los crescer... Em meio ao corre-corre da rotina, esse é o tempo mais precioso que buscamos ter todos os dias para passar com eles. E quando conseguimos é uma felicidade!

Ser executiva foi algo planejamento na sua vida? E ser mãe?
Sim, as duas coisas! Ser executiva foi resultado de muito planejamento. Formação, pesquisas e aprendizado contínuo. Ainda agora para transformar a empreendedora em empresaria fiz consultoria, cursos e todo dia aprendo uma nova lição com o mercado. Um dia fico boa nisso!
Já ser mãe foi um desejo meu e do meu marido, escolhemos ficar grávidos e nos preparamos para isso, foi uma decisão nossa. Esse amparo e apoio foram essenciais para tornarem minha gestação um momento de espera sem angustias.  Enfim, também foi planejado né?

O que mudou na sua vida de executiva depois que a Alice nasceu?
Meu sentimento de onipotência! Precisei aprender a delegar a função de cuidado com a minha cria para a funcionária e para a escolinha e isso foi sem dúvida nenhuma muito difícil, afinal, quem poderia cuidar melhor do que eu?

Alguma coisa mudou na sua vida de mãe depois que a Bowbow nasceu?
A rotina. Tenho que otimizar o tempo, o tempo todo, bem redundante assim, e ser mais organizada também. Sempre tem um compromisso de última hora ou uma reunião prolongada bem no dia da reunião de pais!

Como você organiza o seu tempo para dar conta de tantos papéis?
Não sei se consigo representar tantos papeis assim. O que faço para organizar minha rotina aprendi com meu pai, e é bem simples, acordo e faço um planejamento mental de tudo o que tenho que fazer no dia, assim, com a mente descansada pensamos melhor. Para os compromissos de trabalho mantenho uma agenda no celular, pois assim está sempre à mão, vai que o computador fica no escritório aí já viu....

Qual é o legado que você gostaria de deixar como mãe?
Ensinamos para a Alice coisas simples, mas que aqui em casa fazemos questão, como cidadania, justiça, respeito e sinceridade. E que compartilhar é a mais pura expressão do amor. Digo isso porque vejo pessoas que fazem um movimento de afastamento, se isolam, não convivem as vezes com sua própria família. Acho muito triste.

E como executiva?
Um império! Kkkkk! Uma brincadeira para dizer: perenidade, mas numa época tão mutante me pareceu muito retrô a palavra, mas pelo menos é digna!

Uma palavra: Respira!
Uma comida: French Toast com uma Xícara de café, bem devagar!
Um livro: Caçadas de Vida e de Morte. João Gilberto Rodrigues da Cunha.
Um homem: Oskar Schindler.
Um amor: O da minha família.
Uma inspiração: Coco Chanel.

Alguma dica para as mamães leitoras do blog?
Meninas sigam sempre em frente! Acreditem que vocês podem e vão conseguir.  Obstáculos teremos sempre.  A sabedoria está em como passar por eles. Nessas horas, tranquilidade, ou como ouvi de uma profissional que consultei e que considero uma amiga: Respira!

Viram que tudo?!

Veri querida, obrigada por compartilhar um pouquinho da sua vida por aqui! Suas palavras sempre trazem algum aprendizado bom demais! Que esse Dia das Mães seja recheado de alegrias, abraços e da certeza de que você é uma excelente mamãe, porque antes de tudo é uma excelente mulher. Gratidão imensa no meu coração e uma torcida sem fim para que esse “império” que você vem construindo com tanto amor, seja cada dia mais grandioso! ;)

Beijo especial no coração de todas as mamães leitoras do blog! Vocês são maravilhosas, lembre-se sempre disso!

<3

Blog no Instagram

@vidadeexecutiva
Agora o blog está também no Instagram.

O dia a dia por aqui costuma sem bem agitado, e nem sempre dá tempo de contar tudo o que acontece nessa vida de executiva aqui com os posts. Então, resolvi criar o perfil do blog para compartilhar não só os momentos, mas também dicas de livros, filmes, eventos, mensagens que uso nos atendimentos de coaching e o que mais encontrar que possa contribuir conosco.

Quem quiser participar, fique à vontade!