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Mulheres com propósito

É preciso coragem para seguir um propósito. Um propósito da alma.

Já nascemos com várias definições sobre como devemos ser, como é o modo correto de nos comportar, quais as decisões que nos fazem ser boas o suficiente para sermos amadas, admiradas, aceitas... Passamos a vida tentando nos acertar em meio a tudo isso e muitas vezes conseguimos. O problema é o preço que pagamos por isso. O preço de nos perder de nós mesmos. Olhamos ao redor e tudo está como deveria estar, mas por dentro, nada faz sentido.

Vivemos em uma época que nos desafia a ser o que somos, mas nos convida todo o tempo a parecer o que deveríamos ser. É confuso, eu sei. Mas apenas se pergunte: você está leve nesse exato momento? Se sente em paz durante o seu dia? Se a resposta é não, talvez seja um bom momento para se observar mais.

Em qual área da sua vida há uma crise hoje? O que essa crise te diz? Entenda, às vezes a crise vai se apresentar na forma de parada total, quando não há energia para dar mais nenhum passo na vida. Às vezes vem com uma grande mudança, dessas que a gente não controla, mas participa, se vê imersa e precisa se adaptar. As crises normalmente nos contam em qual parte das nossas vidas precisamos parar de fingir.

É, só tem um jeito: assumir quem somos. E sim, talvez seja a coisa mais difícil que você vai fazer na vida. Estamos acostumadas a nos esforçar para sermos mulheres como achamos que deveríamos ser.

E se nada disso for verdade? E se quando você apenas se soltar tudo o que sempre esperou puder ser seu? E se você tiver coragem de assumir a responsabilidade pela sua vida? E se você for o suficiente exatamente como é nesse exato momento? E se você parar de se julgar?

“E se a questão não for: por que é tão raro eu ser a pessoa que realmente quero ser, e, sim, por que é tão raro eu querer ser a pessoa que realmente sou? Oriah Mountain Dreamer.

Eu sei, é preciso coragem, porque quando vivemos o nosso propósito da alma encontramos uma felicidade grande demais, daquelas que não tem mais como fingir, precisamos assumir. Assumir é abrir a porta, deixar as coisas acontecerem segundo o seu coração, nada mais. Assusta no início, gera uma certa culpa durante e depois te liberta para oferecer ao mundo o que é real em você. Já pensou o que o mundo perde cada vez que você finge e se anula? O que o mundo ganharia se você pudesse oferecer a ele todo o seu potencial?

O que faz sentido está em você, apenas em você. Já está pronto, já nasceu com você, tenha coragem de se encontrar e de assumir quem você é. Esse é o seu legado e o mundo precisa disso.

* Escrevi esse texto para um trabalho com a UP Brasil em comemoração ao dia das Mulheres em 2017. Viajei para as cidades onde a empresa tem filiais e encontrei mulheres espetaculares! Foram dias incríveis, nos quais aprendi mais e mais sobre as belezas de realizar o nosso propósito de vida. :)




Amar dói.

Não é o amor que dói. É amar.

Porque quando amamos somos quebrantados. É como se ao tocar o amor, tivéssemos que obrigatoriamente tocar o que em nós também precisa ser amado. Aquilo que escondemos debaixo do tapete para não ter que sentir, não ter que lidar, não ter que olhar. Mas o amor, quando toca, traz à tona.

E isso vale para qualquer tipo de amor. Amor a um projeto, a uma pessoa, a uma empresa, a um produto, a um cargo, a uma ideia. Todas as vezes que amamos algo fora, encontramos também algo dentro que precisa de amor.

A grande questão é que para manter o amor ao que está fora, muitas vezes queremos sufocar ainda mais o que está adoecido internamente, queremos que o orgulho, o medo, a insegurança ou qualquer coisa que ainda carregamos não apareça, não ameace aquela sensação boa de estar amando algo. E aí, vamos nos abandonando, deixando de ser quem somos, para tentar ser aquilo que o objeto, a empresa ou a pessoa amada espera.

Espera, pede descaradamente ou pior, nós é que achamos que espera.

É nesse momento que nos perdemos, quando deixamos de amar o que em nós mais precisa de amor. Porque é no amor ao que está na vida que criamos a possibilidade de amar o que ainda não conseguimos olhar dentro de nós.

O que em você precisa de amor? Como o amor que você sente por seus projetos tem te ajudado a descobrir o que em você ainda não cresceu? Como o seu amor por alguém tem te mostrado que ainda existem partes suas inseguras?

É por isso que amar dói, porque nos faz vulneráveis, nos faz encarar que nem sempre vencemos e que é preciso corrigir a rota. Amar nos escancara, mostra onde erramos e nos faz ver o que não pode mais voltar e o que não pode mais seguir. Quando amamos somos obrigados a nos limpar de velhas cargas ou das novas que tentam nos entregar, mas que não fazem mais sentido. A gente já não aguenta mais.

Ao mesmo tempo ele nos prepara para novos tempos, nos quais seremos mais amados por nós mesmos e poderemos colher mais amor. Não se abandone. Esse é o primeiro passo para dar tudo errado. O amor é a chance que temos de vencer e ele primeiro precisa passar por nós, curar em nós para depois poder ser oferecido.

Tenha coragem de deixar o amor viver em você. Uma coisa é garantida, ele vai trazer para a pele as dores que precisam ser sentidas para poderem ir embora de vez. Tenha coragem de senti-las, só assim as dores podem ser curadas, quando são aceitas no coração.

Isso não significa aceitar as exigências descabidas de um parceiro, de um cargo, de um chefe sem noção. Significa ter a coragem de olhar para você e se perguntar: Porque ainda estou atraindo isso para mim? Qual dor estou tentando reproduzir aqui? E se entregue à resposta. O amor a esse emprego, ou seja lá o que for que você estiver amando, pode te ajudar a amar mais você mesmo.

Espero que você tenha a coragem de se amar, de estar consigo, de corrigir o rumo e de se libertar.

Devolva aqui!

“Há pessoas que nos roubam. E há pessoas que nos devolvem”.

Há pessoas que nos devolvem o sorriso, as ideias, a energia, o incentivo, tudo aquilo que já é nosso, mas que nos esquecemos e deixamos roubar em certos momentos da vida.

Essa frase tem feito cada dia mais sentido para mim. É uma citação do padre Fábio de Melo, que no livro Quem me Roubou de Mim, faz uma análise bem interessante sobre o que ele chama de sequestro da subjetividade. Esse conceito trata desse sequestro que não é físico, mas que leva parte do que somos, que nos afasta de nós mesmos e daquilo que faz sentido para nós.

No primeiro semestre desse ano vivi tempos em que manter minha subjetividade (quem eu sou) apesar das circunstâncias, foi o desafio.  Uma amiga disse: “sabe Tati, é que você está num momento de tirar os pesos”. A princípio concordei, mas em seguida percebi que vivi uma época de devoluções, começando pela decisão de devolver a mim mesma o que sou. É por isso que os pesos precisavam sair, eles não eram meus.

É impressionante como o primeiro passo de coragem dá o impulso para todos os outros. E de repente me vi cercada de pessoas “me devolvendo” também. Como se o Universo todo dissesse “Isso querida, que bom que você teve coragem de se amar”.

Devolver quem somos a nós mesmos tem a ver com responsabilidade e culpa. Responsabilidade para assumir o caminho que desejamos e para compreender que se estamos onde estamos, foi uma escolha nossa. Uma certa culpa também faz parte, a de não agradar a todos.

Pensando sobre tudo isso e escolhendo qual seria meu próximo passo profissional, comecei a refletir sobre o que deixei para trás. Qual foi o rastro que deixei?

Coincidentemente (ou não), fui convidada para fazer uma palestra sobre minha carreira nesse período e revi os passos, as empresas por onde passei, as pessoas que conheci, os projetos, tudo.

Já pensou sobre isso? Quando você passa pela vida de alguém, a deixa engradecida? Quando você já não está mais, sua presença é lembrada com alegria? As empresas nas quais trabalhou cresceram com a sua contribuição? Há gratidão? As portas continuam abertas para você?

Com isso em mente, que tal fazer um exercício?

Faça uma lista das pessoas que te devolvem. Aquelas que quando você chega perto o sorriso abre, você se sente respeitada; elas sempre têm uma palavra boa para oferecer; você se sente bem só de chegar perto e mesmo em silêncio é bom estar ali. Sabe quando a coisa flui de graça, sem esforço? Isso aí!

Faça também uma lista daquelas pessoas que te roubam de si mesmo. Quem hoje na sua vida te faz sentir menor? Quem te faz recuar, paralisar na vida ao invés de andar para frente? Quem atrapalha suas conquistas, ou te faz sentir incapaz? Quem te maltrata (muitas vezes disfarçado de bondade)?

Sem julgamento tá? Veio à mente, escreve o nome na lista, sem pensar se é certo ou errado. Às vezes, vai dar vontade de colocar a mesma pessoa nas duas listas, sinta honestamente em qual das duas essa pessoa cabe nesse momento. Siga o coração, como você se sente é o que vale. E pode ser tudo junto, gente do trabalho ou da vida pessoal. A lista é sua, coloque quem quiser.

E aí? Teve coragem de fazer o exercício?

Às vezes, é preciso muita coragem para admitir que algumas das relações que mais prezamos nos maltratam demais; para admitir que a responsabilidade por definir limites e nos posicionar é só nossa.

Hoje, depois de todo o turbilhão e da coragem de deixar ir tudo aquilo que me “roubava” energia, sorrisos e paz, o que restou foi uma gratidão imensa. Estou realizando vários sonhos que estavam guardadinhos no meu coração, ao lado de gente que “me devolve” sem nem perceber. Uma dessas pessoas é meu grande amigo Luciano Araújo, a quem dedico esse post.

Espero que esse post contribua para grandes devoluções, aquelas que fazem o coração ficar quentinho, pois, trazem a gente de volta para o lugar que é só nosso.


* Lu, obrigada por me ver com olhos tão carinhosos, por me lembrar do que sou capaz e por ajudar sem medir esforços a me devolver para a vida. Você é um amigo incrível, a quem eu amo, respeito e serei para sempre grata. :)