Soluções são simples. Para quem já tem a alma simples.
Não confunda simples com rasa. Almas simples são profundas,
porque nelas cabem todas as versões de si mesmas. São simples, porque
compreendem que a complexidade não é para ser dominada, mas sim experimentada.
Almas simples brincam, porque aprenderam a desfrutar. E
porque aprenderam a desfrutar suportam a difícil tarefa de receber em
abundância, sem culpa, com graça.
Elas são generosas, entregam de si, para que outras almas
possam experimentar um pouco mais de leveza quando percebem suas geometrias
dolorosas.
Almas simples se conectam. Sabem que a cura está no exato
momento em que o encontro acontece. E porque os encontros acontecem, elas podem
ser vistas, assim, simples como são.
E por poderem ser o que são, podem também se entregar a um
propósito maior que si mesmas. Elas sabem que seu lugar é precioso demais para
não ser completamente ocupado. Então, elas simplesmente ocupam seus lugares e
servem a vida.
Almas simples olham para o que se apresenta e apenas olham.
Não sobra espaço para julgar quando se ocupam de apenas estar.
Elas são corajosas. Tiveram a coragem de pagar o preço de
pisar no desconhecido, só para entender que, em grande parte das vezes, a
solução não tem a ver com o problema e sim com a habilidade de construir um
novo modo de olhar.
Almas simples fazem o que precisa ser feito, mesmo que não
saibam exatamente o caminho, elas são capazes de dar o primeiro passo. Sabem
que sua tarefa mil anos precisa ser iniciada, sabem que cabe a elas essa
tarefa.
Almas simples não precisam ser traduzidas, pois se expressam
através da liberdade. E é preciso sabedoria, para ter consciência de que é a
simplicidade que liberta.
Escrevi esse texto para o meu professor Guillermo Echegaray Inda. Um ser humano incrível que durante os 10 dias de formação em Constelações Estruturais ensinou o que é ter a alma simples. Junto com essa turma maravilhosa, vivi dias de uma grande transformação. Esse texto surgiu em um dos dias do curso, quando meu coração pedia por um modo de demostrar gratidão. Guillermo, além de um profissional incrível, foi extremamente generoso ao disponibilizar tempo para trabalhar comigo diversos aspectos nos quais eu precisava amadurecer. Gratidão para sempre querido professor! <3
É
em movimento que seguimos a jornada da vida. Um passo após um outro. Uma pausa
após a outra. Cadência, ritmo, movimento. Cada um tem o seu. Todos participam a
seu modo.
É
em movimento que novas perguntas nos encontram. Algo precisa se mover para que
o novo possa aparecer, nos confundir, nos surpreender, nos fazer crescer ou,
pelo menos, ansiar por isso.
É
em movimento que nos encontramos com Deus e criamos na realidade. A natureza
nunca para, está sempre em movimento, mesmo que em silêncio. Participar desse
movimento de vida é uma escolha, é preciso dar o primeiro passo para que o
caminho se apresente.
Muitas
pessoas conversam comigo sobre encontrarem seus propósitos de vida, sobre seus
negócios e como gostariam de eles estivessem realizando algo grandioso. Mas a
maioria espera que esse propósito seja uma iluminação, algo que de repente se
manifesta como um belo slogan para ser comunicado. Estão focadas no que fazer
da vida e esquecem de o porquê fazer na vida. Quanto mais isso acontece, mais
se comparam com outras pessoas e como a vida do vizinho parece ser tão bem
resolvida. Uma comparação que magoa e as faz sentir sempre insuficientes não
importa o que tenham conquistado.
Algo
grandioso só pode acontecer quando nasce da verdade. A integridade dá a base
para aquilo que é feito. Precisa ser genuíno para ser sustentado. Esse é o
desafio. Encontrar o seu propósito passa pela honestidade, pela coragem de
olhar para o que é real e só tem um caminho: o coração. Ele nunca mente, mas
compreender essa linguagem pode ser assustador à princípio.
Por
isso o movimento, um passo por vez. Quando decidimos trabalhar com o propósito
em nossas vidas, criamos um movimento para isso e a partir dele, teremos
momentos de alegria e conexão e ao mesmo tempo, vamos encontrar com as
incoerências escolhidas que nos afastaram do movimento original. Movimento da
alma e em seguida, movimento do corpo.
Movimento
é diferente de velocidade e força. Muitas vezes é parado, mas ativo. Constante,
mas suave. É um impulso da alma que pode nos fazer simplesmente parar, mas
paramos com sentido e por isso, o movimento pode ser de espera. Pode ser apenas
interno e temos ciência disso. Permanecemos à espera do que precisa ficar
pronto, do caminho que se formará para o próximo passo.
Até
que seja possível corrigir o passo para o que realmente faz sentido em nossas
vidas, vamos ter que lidar com aquilo que normalmente é confortável, mas nos
tira o prazer de viver sendo quem somos.
Comigo
aconteceu assim também.
Comecei
a dançar no dia do meu aniversário de 12 anos. Um dia muito feliz. Minha
madrinha me via fazendo espetáculos de dança para os vizinhos e resolveu me dar
a matrícula de presente. Primeiro o jazz e anos depois, estava eu na companhia
profissional dançando moderno, balé clássico, jazz e dando aulas na academia. A
dança sempre esteve presente, mesmo antes de oficialmente ser bailarina. Sempre
que lembro de mim, lembro da dança.
Aos
17 anos descobri uma doença que me fez desistir da carreira profissional na
dança. Um tumor. Benigno, mas que interferia no metabolismo do meu corpo.
Enquanto fazia o tratamento, fui para a faculdade de comunicação. A ideia era
ter uma profissão que me mantivesse em movimento. A publicidade engloba tudo
isso em eventos, criação, interação com o público... é um vai para lá e vem
para cá sem fim!
Anos
depois, mantendo a dança em segundo plano e com um escritório de consultoria
sistêmica montado, me deparei com o desafio de explicar o que exatamente uma
publicitária que também é terapeuta sistêmica faz. E num trabalho longo de
planejamento o obvio veio à tona: movimentar. Esse sempre foi o meu propósito
de vida, mas não tinha ainda sido definido em palavras para que eu pudesse
compartilhar com as pessoas ao meu redor. Assumir isso (sou dançarina e sempre
vou ser independente do que estiver fazendo na vida) fez toda a diferença.
O
resultado foi esse aqui:
O
movimento faz tanto sentido para mim que a vida se manifesta assim, só consigo
compreender algo quando há um movimento. E aí está a minha maior habilidade: me
movimentando estimulo os outros a se movimentarem também. Pode ser no palco, em
projetos, em sala de aula, onde eu estiver, em qualquer coisa que eu faça. Agora
eu sei.
Continuo
com uma vida comum, trabalhando, estudando, pagando contas, limpando a casa,
essas coisas que do dia-a-dia que todos vivemos. Mas sei quem sou e assumir
isso, mudou tudo.
Por
isso, para você que está se perguntando qual é o seu propósito, se pergunte
antes: o que me move? O que sempre me faz sair do lugar e avançar na vida? Movimente
o seu propósito. É assim que você se encontrará com ele, consigo mesmo e poderá
de algum modo entregar isso ao mundo. Como bem disse Carpinejar, é “dançar com
a música de dentro”.
É preciso coragem para seguir um propósito.
Um propósito da alma.
Já nascemos com várias definições sobre como
devemos ser, como é o modo correto de nos comportar, quais as decisões que nos
fazem ser boas o suficiente para sermos amadas, admiradas, aceitas... Passamos
a vida tentando nos acertar em meio a tudo isso e muitas vezes conseguimos. O
problema é o preço que pagamos por isso. O preço de nos perder de nós mesmos.
Olhamos ao redor e tudo está como deveria estar, mas por dentro, nada faz
sentido.
Vivemos em uma época que nos desafia a ser o
que somos, mas nos convida todo o tempo a parecer o que deveríamos ser. É
confuso, eu sei. Mas apenas se pergunte: você está leve nesse exato momento? Se
sente em paz durante o seu dia? Se a resposta é não, talvez seja um bom momento
para se observar mais.
Em qual área da sua vida há uma crise hoje? O
que essa crise te diz? Entenda, às vezes a crise vai se apresentar na forma de
parada total, quando não há energia para dar mais nenhum passo na vida. Às
vezes vem com uma grande mudança, dessas que a gente não controla, mas participa,
se vê imersa e precisa se adaptar. As crises normalmente nos contam em qual
parte das nossas vidas precisamos parar de fingir.
É, só tem um jeito: assumir quem somos. E
sim, talvez seja a coisa mais difícil que você vai fazer na vida. Estamos
acostumadas a nos esforçar para sermos mulheres como achamos que deveríamos
ser.
E se nada disso for verdade? E se quando você
apenas se soltar tudo o que sempre esperou puder ser seu? E se você tiver
coragem de assumir a responsabilidade pela sua vida? E se você for o suficiente
exatamente como é nesse exato momento? E se você parar de se julgar?
“E se a questão não for: por que é
tão raro eu ser a pessoa que realmente quero ser, e, sim, por que é tão raro eu
querer ser a pessoa que realmente sou? Oriah
Mountain Dreamer.
Eu sei, é preciso coragem, porque quando
vivemos o nosso propósito da alma encontramos uma felicidade grande demais,
daquelas que não tem mais como fingir, precisamos assumir. Assumir é abrir a
porta, deixar as coisas acontecerem segundo o seu coração, nada mais. Assusta
no início, gera uma certa culpa durante e depois te liberta para oferecer ao
mundo o que é real em você. Já pensou o que o mundo perde cada vez que você
finge e se anula? O que o mundo ganharia se você pudesse oferecer a ele todo o
seu potencial?
O que faz sentido está em você, apenas em
você. Já está pronto, já nasceu com você, tenha coragem de se encontrar e de
assumir quem você é. Esse é o seu legado e o mundo precisa disso.
* Escrevi esse texto para um trabalho com a
UP Brasil em comemoração ao dia das Mulheres em 2017. Viajei para as cidades onde a empresa tem filiais e encontrei mulheres espetaculares! Foram dias incríveis, nos quais aprendi
mais e mais sobre as belezas de realizar o nosso propósito de vida. :)