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A Independência

Essa semana estou em São Paulo para visitar minha irmã e descansar um pouco. Ela se mudou há um ano e meio para estudar e como todo mundo, passou pelas dificuldades de se tornar adulta. Lavar roupa, limpar a casa, aprender a se relacionar com novas pessoas, se adaptar a lugares estranhos, administrar o próprio dinheiro e por aí vai, uma infinidade de novas decisões para serem tomadas.

Tati e Carol

Ser independente é algo com que sonhamos muito, especialmente na adolescência. Eu achava que com 18 anos já poderia fazer tudo o que quisesse... rsrs. O tempo passa e descobrimos que é na verdade um processo, uma construção. A parte mais engraçada da história é que a gente começa a se divertir com coisas que antes eram impossíveis. Sabe aqueles pedidos de mãe? "Lava a louça? Arruma o armário? Vá ao supermercado para a mamãe?" Tudo isso é muito chato até que você vira a dona da casa e começa a achar uma beleza fazer faxina com o som alto.

É minha gente, nunca imaginei que iria tomar café com minha mãe e irmã e o assunto principal seria como organizar a geladeira. E viver essa experiência me fez perceber que na profissão é a mesma coisa. Leva tempo para ser independente, e nem sempre vamos fazer só o que gostamos.

Crescer é uma questão de escolha. Sempre escuto profissionais reclamando da falta de oportunidade, mas creio que para quem tem vontade de amadurecer a vida sempre ajuda. Minha irmã quis tanto ser naturóloga que em pouco mais de um mês mudou toda sua vida por isso. Não foi simples, deu muito trabalho, mas a escolha dela fez a diferença e mesmo com todos os obstáculos ela está realizando seu sonho.

Então, para quem está louco por uma oportunidade de crescer na vida vão aí algumas dicas:

Escolha. Coragem! Decida crescer e assuma a responsabilidade por suas escolhas.
Trabalhe. Cuide melhor das suas atividades, faça seu trabalho com qualidade, independente da posição em que se encontra na empresa hoje.
Observe. Quem são as pessoas com as quais você convive profissionalmente? Essas pessoas estão crescendo? São positivas, dispostas, responsáveis? Fique sempre próximo de bons exemplos e de pessoas que realizam seus sonhos e tome cuidado com quem reclama demais.
Seja humilde. Vão aparecer tarefas chatas, que não fazem parte da sua função e de última hora. Faz parte, aceite, mesmo com raiva do seu chefe, muitas dessas tarefas são ótimas oportunidades de aprender alguma coisa nova ou de se tornar um ser humano mais humilde.
Respire. É importante.

Enfim, somos nós que convivemos com as nossas escolhas, então é bom que elas nos façam crescer.

Querida, estou orgulhosa de você. Parabéns pela coragem de escolher ser quem você quer ser.

Espiritualidade e Trabalho?

Não não, nada de mandinga, receita de simpatia pra atrair clientes ou apelo religioso. Nessa série eu e meu grande amigo, o psicólogo Alisson Machado Borges, vamos falar sobre os efeitos positivos que uma vida espiritual saudável pode trazer para o seu dia a dia de trabalho. Preparados? Então vamos lá!

Nestes tempos de "correria" e tumulto em que muitos ficam no piloto automático, ou com o sentimento de atropelar/ser atropelado pelas circunstâncias, viver com consciência faz a grande diferença para a qualidade de vida e das relações de trabalho.

Tudo bem, mas como é isso?

Estar consciente é estar presente em cada momento, vivendo o agora com consciência de si mesmo, das atitudes e da forma como conduz a sua vida. É importante refletir sobre o que tem maior importância: a quantidade de tarefas que executei, reuniões que compareci, clientes que atendi no dia, ou a qualidade com a qual me dediquei a tudo isso?

A espiritualidade no cotidiano do trabalho tem tudo a ver com essa qualidade de consciência que é a busca por estar presente nos pequenos detalhes, gestos, palavras, jeito de se dirigir a si mesmo e ao outro. Quem está consciente do momento presente percebe possibilidades de ação variadas e opções múltiplas para responder a uma determinada situação.

Em seu livro O Poder do Agora, Eckhart Tolle aborda a importância de viver o presente como forma de alcançar a realização. Segundo o autor, temos vários modos de escapar da realidade e assim, causamos dificuldades e consequentemente, sofrimento. O livro possui uma linguagem tranquila e é uma ótima dica de leitura.


Espiritualidade e Trabalho

Aqui vão algumas sugestões práticas para exercitar essa consciência:

Durante sua rotina de trabalho faça pausas breves, tome consciência da sua respiração, perceba as sensações no seu corpo, como está se sentindo. Respire profundamente e se for possível feche os olhos por um instante. Pode ser na hora do cafezinho, enquanto vai ao banheiro, ou entre um e-mail e outro.

Seja testemunha de você mesmo nas atividades diárias, por exemplo, pratique a atitude de observar-se durante uma conversa ou na execução de uma tarefa. É como se você se olhasse com certo distanciamento observando como você age. Tome consciência e esteja presente.

Eu segui essa dica, e descobri que as vezes paro de respirar por alguns segundos quando estou concentrada escrevendo e-mails, ou lendo algum texto. Que horror!

Exercite sua atenção conectando-se a você, criando uma aliança com as suas melhores qualidades e com a "voz do coração", percebendo intuições e inspirações que certamente ocorrem várias vezes ao dia, mas que nem sempre prestamos atenção.

Lembrem-se, quem tem consciência tem opções.
Vale a pena experimentar!

Como andam seus relacionamentos?

Uma boa maneira de saber se temos qualidade de vida é observar nossos relacionamentos. Você é uma pessoa querida? É respeitada? Admirada? Temida? Consegue compartilhar?

Semana passada vivi uma situação que me fez pensar sobre esse assunto. Um grupo de alunos me pediu ajuda para lidar com as constantes discussões entre eles em função dos trabalhos na faculdade, o da minha disciplina inclusive. Dois dos integrantes têm muitas dificuldades para conviver com o grupo. Um deles é extremamente agressivo e o outro pouco envolvido.

O que mais me chamou a atenção nessa história foi o fato de todos os componentes serem bons na aplicação do conteúdo, ou seja, não tinham dificuldades reais para fazer os trabalhos, mas todos eles estavam sofrendo com o relacionamento estabelecido no grupo. Outros pontos interessantes: por que esse grupo atraiu dois integrantes com grandes dificuldades de se relacionar? E será que apenas os dois eram difíceis?

Fiquei pensando sobre o assunto e percebi que nas empresas o mesmo acontece. Muitas das atividades que não são entregues ou projetos que ficam na gaveta possuem algum ingrediente de relacionamento mal resolvido na equipe. Na vida pessoal a gente lava a roupa suja, demonstra, presta atenção. Mas no trabalho, as vezes a gente disfarça, finge que nada aconteceu em nome do "profissionalismo".

Já ouvi diversas vezes "seja profissional, seus problemas não devem interferir no trabalho". Ok, mas como? Alguém já explicou como fazer isso na prática? "Respire três vezes e deixe de sentir o que está sentindo, pois, você é um profissional". Não faz sentido, o coração e os hormônios não são itens que podem ser desativados momentaneamente. E olha que eu já tentei, mas não funcionou ainda.

Para mim, o único jeito é resolver mesmo. Encarar o problema e findá-lo. E se não for possível resolver rapidamente, aprender a lidar com o sentimento, e não negar que ele exista.

O que meus alunos precisavam era de alguém que os ensinasse a resolver os problemas afetivos nas relações de trabalho, ou que pelo menos apontasse um caminho. Ui!

Bem, o que fiz foi conversar com eles sobre a questão. Na verdade não importa quem errou mais ou menos e sim como estabeleceram o relacionamento. O que não foi dito? O que foi dito em excesso? Quem ouviu mais do que devia, por que permitiu? Por que essas pessoas escolheram estar juntas nesse trabalho?

As primeiras respostas foram: "Uai (mineiros né?) Professora, a gente não escolheu, tínhamos que montar o grupo de qualquer jeito". "Fulano é chato". E por aí vai. Eu perguntei: Já repararam que sempre o responsável é outra pessoa? A (querida) professora, o colega... E vocês? Qual parte de responsabilidade têm nisso?

Esse papo durou quase uma hora e juntos chegamos à seguinte conclusão: sim, existem questões sobre as quais não temos controle e precisaremos nos adaptar, por exemplo, os colegas de trabalho não terão a mesma educação que você. Mas boa parte do que nos cerca é resultado de nossas escolhas, inclusive como reagimos ao que não podemos controlar.

Então é isso, uma das formas de melhorar nossas relações no trabalho (e na vida) é assumir a responsabilidade que nos cabe por estar nelas e por fazer delas o que são, afinal, a qualidade dos nossos relacionamentos, diz muito sobre a qualidade da vida que escolhemos ter.